sábado, 8 de março de 2025

Primeira Dor de Maria Santíssima

 

“Tuam ipsius animam pertransibit gladius - “Uma espada transpassará a tua alma” (Lc 2, 35)


Ruperto abade contempla Maria dizendo ao Filho enquanto o alimentava:

“Fasciculus myrrhae dilectus meus mihi; inter ubera mea commorabitur”. Ah, Filho meu, eu te aperto entre meus braços porque muito te amo; mas quanto mais te amo, tanto mais para mim te transformas em ramalhete de mirra e de dor, pensando em tuas penas. Tu és a fortaleza dos Santos, e um dia entrarás em agonia; és a beleza do paraíso, e um dia serás desfigurado; és o Senhor do mundo, mas um dia serás preso como um réu; és o Criador do universo, mas um dia te verei livido pelas pancadas; numa palavra, tu és o Juiz de todos, a glória dos céus, o Rei dos reis, mas um dia serás sentenciado, desprezado, coroado de espinhos, tratado como rei de escárnio e pregado num infame patíbulo. E eu, que sou tua Mãe, eu, que te amo mais que a mim mesma, terei de ver-te morrer de dor, sem te poder dar o menor alívio: “Fasciculus myrrhae dilectus meus mihi” - “O meu amado é para mim um ramalhete de mirra”.

Se, pois, Jesus, nosso Rei, e Maria, nossa Mãe, bem que inocentes, não recusaram por nosso amor padecer durante toda a sua vida uma pena tão atroz, não é justo que nós nos lamentemos, se padecemos um pouco; nós que porventura muitas vezes temos merecido o inferno.


Ref. (Meditações de S. Afonso de Ligório)

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