segunda-feira, 24 de março de 2025

Salve-Rainha (Explicada ao Comum dos Fiéis )

Salve-Rainha (Explicada ao Comum dos Fiéis - Com que nas suas aflições poderão invocar a proteção da Santíssima Virgem):

«SALVE, RAINHA: Bendita, venerada sejais, glória vos seja dada por todas as criaturas no Céu e na terra, Esposa do Rei onipotente, Mãe do Rei da glória, que reinais e deveis reinar sempre, como soberana, em nossos corações.

MÃE DE MISERICÓRDIA: Mãe no afeto, Mãe no cuidado, Mãe no desejo e na diligência por nossos proveitos verdadeiros e substanciais; e Mãe compassiva que em suas entranhas se dói de nossos extravios, de nossas faltas e de nossa miséria.

VIDA, DOÇURA: Por cuja intercessão, por cujo soccorro muito especialmente é, que nós podemos viver a vida do espírito em serviço do Senhor, e por cujo amparo e benefício é que em muitos casos conservamos e dilatamos até a vida do corpo. – Cujo nome é suave a nossos ouvidos, cuja memória é suave a nossos corações e em cujo patrocínio é doce e suavíssima nossa confiança.

ESPERANÇA NOSSA: De cuja compaixão para conosco e alto valimento com o bendito Filho, é que nós, tão fracos, tão pouco dignos de nos apresentarmos ante o seu trono, podemos esperar e esperamos que ele se dignará de nos olhar com piedade.

DEUS VOS SALVE: Bendita, venerada sejais, glória vos seja dada por todas as criaturas no Céu e na terra.

A VÓS BRADAMOS: Os expulsos, os banidos, por severo mas justo juízo, em razão da culpa, da mimosa pátria, do lugar de inocência, de delícias, de completa bem-aventurança.

OS DEGREDADOS FILHOS DE EVA: Procedidos, por natureza, da mulher que, dando ouvidos ao espírito de engano, nos envolveu na massa infeliz da corrupção; da mulher, por quem nos vieram tamanhos danos e prejuízos, de que só por vós nos chegou remédio; da mulher, a que só a vós pertence mudar o nome, dando-nos, em lugar de mãe pouco lembrada da nossa ventura, mãe eficazmente solícita e amorosa.

A VÓS SUSPIRAMOS: Enviamos, pedindo ajuda e favor, as vozes mal formadas e entrecortadas, porque usam explicar-se os corações ansiosos.

GEMENDO E CHORANDO: Entre gemidos e pranto, que não nos cabe outra coisa à vista de tantos males e apuros de que é cheia, de que é tecida a pobre vida humana.

NESTE VALE DE LÁGRIMAS: Neste mísero desterro, neste mofino mundo, nesta terra de tormento e dor, a que fomos condenados em razão da desobediência e soberba.

EIA POIS, ADVOGADA NOSSA: Ouvi pois nossos brados, atendei nossos suspiros, gemidos e lágrimas; – ó defensora e intercessora nossa.

ESSES VOSSOS OLHOS MISERICORDIOSOS A NÓS VOLVEI: Ponde em nós vossos olhos compassivos e cheios de piedade.

E DEPOIS DESTE DESTERRO: E quando, com o fim de nossa vida tiver fim a morada neste vale de miséria e amargura, a que nos trouxe a culpa.

NOS MOSTRAI A JESUS: Fazei-nos ver, face a face, Jesus, cuja presença e clara vista é o sumo da glória, que sobretudo desejamos.

QUE É BENDITO O FRUTO DO VOSSO VENTRE: Jesus, que é o abençoado fruto do vosso ventre, onde, por obra maravilhosa do Espírito Santo, foi concebido, tomando a nossa natureza.

Ó CLEMENTE, Ó PIEDOSA, Ó DOCE: Remédio, benefício, dom grandioso, que ansiosamente desejamos alcançar, e que não cessamos de esperar de quem, como vós sois, tão doce e benigna para os pobres e pequenos, tão compassiva com os desgraçados, tão clemente para desculpar os pecadores.

SEMPRE VIRGEM MARIA: Maria, que ainda que desposada com José e verdadeira Mãe de Jesus, conservastes sempre pureza incontaminada e perfeita inteireza.

ROGAI POR NÓS, SANTA MADRE DE DEUS: Sim, intercedei sempre, pedi por nós ao divino Esposo e ao bendito Filho, ó imaculada Mãe de Jesus, que é Deus verdadeiro e verdadeiro homem.

PARA QUE SEJAMOS DIGNOS DAS PROMESSAS DE CRISTO: A fim de que, por virtude de vossa intercessão e rogativas, nos dê o Senhor muito da sua graça, e dela ajudados sejamos tão conformes em pensamentos, palavras e obras à sua lei, que por isso mereçamos o que Jesus-Cristo prometeu aos que o amarem, seguirem e servirem com fidelidade e perseverança: isto é, a coroa de glória em bem-aventurada eternidade.

AMÉM: Assim seja, que por vossa intercessão piedosa alcancemos a divina graça, e mereçamos a eterna recompensa.» 


Ref. – Rev. Frei Leonard Goffiné, O. Præm (S. Norberto), Manual do Christão (Colégio da Imaculada Conceição, Botafogo, Rio de Janeiro - BR, 1951, pp. 154-156).


Nota do blog: Preservou-se a escrita ortográfica do original. Em outro momento, em outro post, faremos a correção segundo o acordo ortográfico atual. Salve Maria!






sábado, 22 de março de 2025

Terceira Dor de Maria Santíssima


“Vejamos o muito que a Maria, acostumada a gozar continuamente a dulcíssima presença de seu Jesus, devia ser dolorosa a terceira espada que a feriu, quando, havendo-O perdido em Jerusalém, por três dias se viu dele separado. Alguns escritores opinam que esta dor não foi somente uma das maiores que teve Maria na sua vida, mas que foi em verdade a maior e mais acerba. E com razão, porque então ela não sofria em companhia de Jesus, como nas outras dores; e porque a sua humildade lhe fazia crer que Jesus se tinha afastado dela por alguma negligência no seu serviço. Por esta razão aqueles três dias lhe foram excessivamente longos e se lhe afiguraram séculos, cheios de amargura e de lágrimas.

Neste mundo não devemos buscar outro bem senão Jesus. Jó não foi, por certo, infeliz quando perdeu tudo o que possuía neste mundo, até descer a um monturo. Porque tinha consigo Deus, também então era feliz. Verdadeiramente infelizes e miseráveis são aquelas almas que perderam a Deus. Se, pois, Maria chorou a ausência do Filho, quanto mais deveriam chorar os pecadores que perderam a divina graça, e aos quais Deus diz: ‘Vos non populus meus, et ego non ero vester’ — ‘Vós não sois meu povo, e eu não serei mais vosso’.

Mas a maior desgraça para aquelas pobres almas, diz Santo Agostinho, é que, se perdem um boi, não deixam de procurá-lo; se perdem uma ovelha, não poupam diligência para achá-la; se perdem um jumento, não têm mais repouso; mas se perdem o sumo Bem, que é Deus, comem, bebem e ficam quietos.

Ah, Maria, minha Mãe amabilíssima, se por minha desgraça eu também perdi a Jesus pelos meus pecados, rogo-vos, pelos méritos das vossas dores, fazei que eu depressa O vá buscar e O ache, para nunca mais tornar a perdê-Lo em toda a eternidade.”


Ref. (Meditações de Santo Afonso de Ligório)

sexta-feira, 21 de março de 2025

A Imaculada mostrou que o Deus católico é o único verdadeiro: o milagre de Empel


O milagre de Empel 04, Augusto Ferrer-Dalmau (1964 - ) FD Magazine
O milagre de Empel. Augusto Ferrer-Dalmau (1964 - ) FD Magazine

A Imaculada mostrou que o Deus católico é o único verdadeiro: o milagre de Empel


A Imaculada Conceição teve um papel essencial em vários episódios muito importantes da história da Cristandade.

Um dos menos conhecidos é o chamado Milagre de Empel onde a intervenção da Imaculada determinou a vitória dos regimentos católicos espanhóis em guerra contra os protestantes holandeses em Flandres.

O escritor espanhol José Javier Esparza dedicou uma valiosa matéria publicada pelo jornal “La Gaceta” de Madri sob o título “Empel: Um tercio para um milagre”, reproduzido por Infovaticana.

Nota: tercio, literalmente terço em português, designa um tipo de unidade militar de infantaria no exército espanhol.

A imagem do Coração de Jesus

 


“Tesouro de Exemplos”: A IMAGEM DO CORAÇÃO DE JESUS 



Durante a Primeira Guerra Mundial, uma senhora vira partir para os campos de batalha os seus três filhos, um após outro. Quando partiu o ultimo, que era oficial da marinha e destinado ao comando de um submarino, deu-lhe uma imagem do Sagrado Coração em celuloide*, a fim de que fosse o seu escudo e proteção. Achava-se ele nas águas da Dalmácia e, devido a um movimento brusco para submergir, pois fora descoberta pelo inimigo, irrompeu no submarino um terrível incêndio.

quarta-feira, 19 de março de 2025

Leitura Espiritual de Março

 São José, Modelo de Paciência

Meditação para o Dia 19 de Março

Da vida de São José nada consta de extraordinário. Tudo simples. Não foi um taumaturgo, não fez milagres em vida, não profetizou, não consta fenômeno algum, a seu respeito, da natureza daqueles que, à leitura da vida de alguns santos, arrebatam-nos a admiração. O milagre maior do Santo Patriarca foi o do seu abandono e conformidade à Vontade de Deus. Que modelo de paciência! Pensa em abandonar a Esposa após a encarnação do Verbo. É avisado pelo Anjo e sem demora obedece. Nasce Jesus na pobre manjedoura, e ali está São José, cheio de amor e confiança, adorando o Verbo feito Homem. Que paciência ante os desprezos de Belém, quando procurava uma hospedagem! O Anjo de novo o avisa. Foge para o Egito com Maria e o Deus pequenino. Sofre no exílio privações, insultos e mil reveses. Sempre paciente, abandonado e confiante. Recebe nova ordem do Céu. Volta para Nazaré e ali vive no silêncio, na simplicidade, na mais profunda humildade, a vida comum de um operário pobre. Morre nos braços de Jesus e Maria. Vida tão simples! A virtude heroica de São José foi o abandono, que é a perfeição do amor. O coração de São José foi, por certo, o coração de um serafim, todo abrasado de Amor Divino. E como o abandono é o fruto mais belo do Amor, pode-se imaginar qual seria a vida de confiança e abandono de São José!


Ref. (Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 90)


domingo, 16 de março de 2025

Novena da Anunciação de Nossa Senhora

 


NOVENA DA ANUNCIAÇÃO

(De 16 a 24 de Março)


℣. Deus, in adjutorium meu intende;

℟. Dómine, ad adjuvandum me festina.

℣. Gloria Patri et Filio et Spiritui Sancto.

℟. Sicut erat in princípio, et nunc et semper et in saecula saeculorum. Amen. 

1. Ó Maria, que fostes escolhida por Deus entre todas as mulheres para serdes a Mãe do Redentor: . alcançai-me a graça de pertencer ao número dos escolhidos que hão de gozar no Céu os frutos da Redenção. A. M.

A senhora lê novelas?

 “Tesouro de Exemplos”: A SENHORA LÊ NOVELAS?


woman-reading- book-Modestia feminina mulher lendo livro novelas ruim filmes imodestia confissão padreNuma missão que se pregava em Marselha, na França, uma senhorita foi confessar com um dos missionários.

Perguntou-lhe o confessor se não lia novelas, e ela respondeu que sim, mas só para passar o tempo, pois as novelas não lhe faziam mal nenhum.

— Bem – replicou o missionário ; mas antes disso, a senhora não era mais piedosa?

— Muito, Sr. Padre.

— Mas nunca lia novelas?

sábado, 15 de março de 2025

Segunda Dor de Maria Santíssima

 


“Como cerva, que ferida pela flecha, aonde vai leva a sua dor, trazendo sempre consigo a flecha que a feriu; assim a divina Mãe, depois da profecia funesta de São Simeão, levava sempre consigo a sua dor com a memória contínua da paixão do Filho. Tanto mais, que aquela profecia começou desde logo a realizar-se na fugida que o Menino Jesus teve de fazer para o Egito, a fim de se subtrair à perseguição de Herodes. [...]

Cada um pode considerar quanto padeceu a Santíssima Virgem naquela viagem. A estrada, conforme à descrição de São Boaventura, era áspera, desconhecida, cheia de bosques, pouco frequentada, e sobretudo muito longa, de modo que a viagem foi ao menos de trinta dias. O tempo era de inverno; por isso tiveram de viajar com neves, chuvas e ventos, por caminhos arruinados cheios de lama, sem terem quem os guiasse ou servisse. Maria tinha então quinze anos, e era uma donzela delicada, não acostumada a semelhantes viagens. Que dó fazia ver aquela Virgenzinha com o Menino nos braços e acompanhada somente de São José!

Pergunta São Boaventura: “De que alimentavam-se?
Onde passavam as noites?” E de que outra coisa podiam alimentar-se, senão de um pedaço de pão duro, trazido por São José, ou mendigado? Onde deviam dormir, especialmente no extenso deserto pelo qual deviam passar, senão sobre a terra, ao relento, com perigo de ladrões ou de feras em que abunda o Egito? Oh! Quem tivera encontrado aqueles três grandes personagens, por quem as haveria então reputado senão por três pobres mendigos e vagabundos? [...]
Ver assim Jesus, Maria e José andarem fugitivos, peregrinando por este mundo, ensina-nos que também devemos viver nesta terra como peregrinos, sem que nos apeguemos aos bens que o mundo oferece, pois que em breve os havemos de deixar e de ir para a eternidade ... Demais, ensina-nos que abracemos as cruzes, já que neste mundo não se pode viver sem cruz. […]
A quem pelo amor traz no coração este Filho e esta Mãe, se lhe tornam leves, quiçá doces e estimáveis, todas as penas.

Ref. (Meditações de S. Afonso Maria de Ligório)


sábado, 8 de março de 2025

Primeira Dor de Maria Santíssima

 

“Tuam ipsius animam pertransibit gladius - “Uma espada transpassará a tua alma” (Lc 2, 35)


Ruperto abade contempla Maria dizendo ao Filho enquanto o alimentava:

“Fasciculus myrrhae dilectus meus mihi; inter ubera mea commorabitur”. Ah, Filho meu, eu te aperto entre meus braços porque muito te amo; mas quanto mais te amo, tanto mais para mim te transformas em ramalhete de mirra e de dor, pensando em tuas penas. Tu és a fortaleza dos Santos, e um dia entrarás em agonia; és a beleza do paraíso, e um dia serás desfigurado; és o Senhor do mundo, mas um dia serás preso como um réu; és o Criador do universo, mas um dia te verei livido pelas pancadas; numa palavra, tu és o Juiz de todos, a glória dos céus, o Rei dos reis, mas um dia serás sentenciado, desprezado, coroado de espinhos, tratado como rei de escárnio e pregado num infame patíbulo. E eu, que sou tua Mãe, eu, que te amo mais que a mim mesma, terei de ver-te morrer de dor, sem te poder dar o menor alívio: “Fasciculus myrrhae dilectus meus mihi” - “O meu amado é para mim um ramalhete de mirra”.

Se, pois, Jesus, nosso Rei, e Maria, nossa Mãe, bem que inocentes, não recusaram por nosso amor padecer durante toda a sua vida uma pena tão atroz, não é justo que nós nos lamentemos, se padecemos um pouco; nós que porventura muitas vezes temos merecido o inferno.


Ref. (Meditações de S. Afonso de Ligório)